quarta-feira, 18 de agosto de 2010






Tem dias que eu sinto saudades de você. São poucos, é verdade, mas eles existem. Normalmente são dias cinzentos, frios, dias que eu queria que você estivesse aqui ao meu lado. Mas você não está.


Em dias assim, costumo pegar o cobertor, enrolar-me nele e sentar no sofá do canto da sala. Acendo um cigarro, pego uma taça de vinho e ligo o DVD. Coloco aquele cd que você me deu de presente de Natal e ouço várias vezes o mesmo cd, num gesto mais do que automático. Passo o dedo lentamente pela borda do copo, como se alisando os seus cabelos. Fito o retrato que tenho de você, bem lindo como sempre e faço menção de pegar o telefone. Mas sempre desisto.

Em dias assim, costumo reler todas as cartas que escrevi para você e que nunca tive coragem de enviar, mas que também nunca rasguei. São palavras que vão das mais doces às mais ásperas, muitas vezes sem nenhum sentido. Algumas escritas com tanta raiva que chegam a marcar a folha do outro lado. Outras, tão suaves que mal consigo ler o que está escrito. Penso em enviá-las agora, apenas para mostrar tudo o que você fez comigo quando me deixou. Mas me parece tão inútil que as deixo no mesmo lugar.

Em dias assim, vejo o filme preferido pela milésima vez e lembro-me de cada comentário seu. Vou à cozinha e faço brigadeiro para comer com colher. Coloco aquela blusa que você tanto odeia, mas nunca disse nada, e deixo a cama desarrumada só para você implicar comigo, mas isso também nunca acontece. Passo o dia deitada, olhando para o teto e revendo todas as suas fotos. Aperto o travesseiro contra o rosto para ver se ainda sinto o seu cheiro, pois tenho o seu perfume, igual ao que fazia todo dia de manhã quando você já havia se levantado para preparar nosso café. E eu sempre sonolenta, ficava enrolando para sair da cama.

Em dias assim, tenho vontade de berrar bem alto o quanto eu te amo, de dizer tudo aquilo que não disse antes por puro medo ou orgulho. Mesmo tendo dito todos os dias o quanto eu lhe amava, parece que não bastou porque o grito ficou na minha garganta.

Nesses dias que sinto saudades, penso em você me olhando com carinho e dizendo que nunca vai me deixar. Isso, eu pulo, porque é difícil de aceitar.

E me pergunto se dias melhores virão? Porque além de você, eu tenho que me dedicar a minha vida, assim como tem feito com a tua.

Vidas que não se encontram mais, que não se retratam. A sua ausência me fez pensar muito em você e esquecer totalmente de mim, me fez acreditar que isso iria mudar, mas pura ilusão dos meus sentimentos. A sua ausência me fez deletar o primordio de minha vida, a base o escape, a minha familia, me fez acreditar que os meus problemas eram maiores do que os tinham presentes em minha casa, pois é sempre acho que sou mais frágel que os que me habitam, me enganei mais uma vez.

Agora vou criar força de onde talvez eu nem saiba onde existe, mas preciso de força para seguir.

Desistir de você, é o mesmo que desistir de mim, mas hoje vejo que não foi eu que te perdi, e sim você que perdeu.

A contagem iniciou, assim o término também.

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