terça-feira, 17 de agosto de 2010

Sem Título





Eu não imaginava que a perda ia ser tão grande quando você virou as costas e saiu dali.
Na hora dei pouca importância, sequer ouvi o que você disse ao bater a porta e sair para ir trabalhar, meu Deus que sabado seria aquele na minha vida.
Simplesmente sorri com o canto da boca e pensei que era só mais uma vez que isso acontecia, como acontecerá em uma noite qualquer de quinta feira.
E deixei você ir, confiante de que minha frieza seria capaz de me ajudar a superar sua ausência ou que mais cedo ou mais tarde voltaríamos ao normal, mas percebi que eu teria que sair dali para você voltar.
Acho que descobri tarde demais que nada daquilo era normal, que o que estava escapando de mim era mais do que eu mesmo tinha constatado até então.
“Por que você só enxerga aquilo que quer? Por que insiste em tentar entender?”
Fiquei dias sem sair de dentro do meu quarto.
Isso normalmente me incomodaria muito, mas não agora.
Sinto que tudo ficou parado.
A música que toca no meu rádio tem apenas um acorde e as palavras da carta que eu escrevi naquele dia distante são todas iguais.
Os lugares perderam os seus sentidos se eles não podem mais ser atribuídos a nós dois.
Não há mais o que ver lá fora.
Da minha janela, olho para o céu nublado e penso que a chuva traz saudade.
É estranho, eu costumava gostar desses dias, antes dessa imagem ficar associada a você.

“Mas eu preciso aprender a viver sem você. Eu sei que as coisas não ficaram legais, mas não temos mais o que fazer. Vai ser melhor assim”. Sempre imagino que os dias vão melhorar o que sinto. Mas nada disso nunca muda, porque você está bem associado as imagens que coloquei na minha vida.

Foi num dia como esse que tomamos café juntos pela primeira vez.
Eu ainda tinha dores pelo corpo e você, olhos desafiadores.
Algo de diferente surgia ali, algo que não soubemos dimensionar então – e até hoje ainda não sei. Só lembro que seu cheiro se fundiu à cena e nunca mais pude esquecer.
Hoje mesmo, enquanto minha caneta percorria tensa as linhas do papel, senti ele preencher o ambiente de novo.
Talvez uma lágrima tenha escorrido pelo meu rosto nesse momento, mas preferi ignorar e continuar a escrever. Escrever para esquecer. Para lembrar apenas que de vez em quando, muito em quando, a vontade de me ver bate em você. E acaba por acabar com o vazio que se fez nesses dias todos de ausência.

É assim que a dor sai de dentro do peito, você sabe.

“A verdade é que eu só queria te ver feliz.”

E bem a verdade é que todos os dias eu ainda lhe amo.

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