
O Amor – O Fim
“De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.”
trecho do Soneto da Separação – Vinicius de Moraes
Sabendo que só a chama é eterna. O amor acabou. Apesar de todos os esforços evolutivos. Milhares de anos dedicados à conservação da espécie, de momentos felizes e românticos, acabou-se o que era doce. Por quê, hein?
Para entender, é preciso voltar no tempo e fazer um passeio pelas savanas africanas, 3 milhões de anos atrás. O homem caçava e protegia a família. A mulher cuidava dos filhotes. Mas, em determinado momento, os casais se separavam. O objetivo da família nuclear – nome técnico que os antropólogos dão ao conjunto de pai, mãe e filhos – era garantir que o homem ficasse por perto tempo suficiente para criar o filhote. Somente isso. Quando o filhote já estava crescidinho e não exigia atenção integral da mãe (que por isso podia voltar a se virar sozinha), o pai estava livre para ir embora e procurar outras fêmeas para procriar. É daí que vem a chamada crise dos 7 anos.
Como atualmente, nem a fêmea está presa à sua cria, todo aquele processo evolutivo foi por água abaixo, o relacionamento amoroso com fins de apoio mútuo, não é mais ser necessário, ancestralmente falando. Tornaram-se mais frágeis e curtos. Porém, alguns estudos afirmam, que se você aguentar mais que 7 anos, a probabilidade de permanecer ao lado da genitora da sua prole ou do seu varão provedor, é grande.
Mas, se apesar dos esforços da natureza, o destino não colaborar com seu relacionamento e o fim for inevitável,não se culpe. A verdade é que boa parte dos relacionamentos está destinada a acabar. E esse momento pode ser muito difícil, pois a Natureza, apesar de friamente calculada, errou a mão, quando trata-se do fim de um relacionamento, principalmente, se uma das partes, ainda não chegou a essa conclusão. E aí, o processo se divide em duas partes:
A 1a é o protesto. É quando a a pessoa fica fazendo promessas, doida para reatar. Isso pode ser muito inconveniente. Mas ela não tem culpa. É o corpo agindo. “O cérebro estava acostumado com aquela recompensa , então faz você insistir mais e mais para tentar consegui-la de novo”, explica a neurologista Suzana Herculano-Houzel. O pânico de ver que não está dando certo pode acionar o sistema de estresse do organismo, que por sua vez estimula novamente a produção de dopamina – ironicamente, fazendo a pessoa se sentir ainda mais apaixonada.
Depois vem a 2a fase: aceitação. Depois de ver que o amado não irá mesmo voltar, muita coisa pode passar pela cabeça da pessoa – depressão, confusão, frustração. Até mesmo ódio. Mas por que sentir algo tão ruim por alguém que se amou? É que o ódio e o amor passam pelas mesmas partes do cérebro – a ínsula e o putâmen. “A diferença entre os dois é que, no ódio, existe mais capacidade de planejar as ações. No amor, o julgamento está prejudicado”, diz o neurologista Semir Zeki, da University College London. Então o ódio é mais racional que o amor? Não necessariamente. Mas ele tem sua função: é uma defesa do organismo para nos fazer seguir em frente. Em vez de ficarmos remoendo eternamente as dores, passamos a não querer mais ver a pessoa. “Assim como o cérebro associava coisas positivas a uma pessoa, ele pode passar a associar só sentimentos ruins, negativos”, diz Suzana Herculano-Houzel. Todos nós sofremos e fazemos sofrer.
Tem gente que mata (e se mata) por amor. Mas a maioria das pessoas supera as dores emocionais da separação. Um estudo feito pela Universidade Northwestern mostrou que terminar uma relação não é tão ruim quanto pensamos que vai ser – geralmente leva metade do tempo que achamos. E melhor coisa para curar um coração partido é começar outro relacionamento.
Se não há bem que não se acabe, também não há mal que sempre dure.
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